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domingo, 16 de novembro de 2008

Janeiro de Cima, Janeiro de Baixo, Barragem de Santa Luzia e Fajão













(Janeiro de Cima)


Por volta do século XVI, XVII, (desconhece-se a data precisa), um senhor, talvez nobre, possuidor de grandes bens e terras nas duas margens do rio Zêzere, resolveu ao morrer, legar os seus bens aos dois filhos de nome januários, entregou a um, as terras da margens direita do rio, ao outro, as da margem esquerda, assim nasceu Janeiro de Cima, na margem esquerda e Janeiro de Baixo na margem direita.

A formação de Janeiro de Cima não começou no local onde hoje se encontra. A primeira pedra foi lançada numa pequena elevação ainda hoje chamada esmouroços, local onde construiram a sua primeira igreja, uma capela em honra do Divino Espírito Santo. No entanto, e segundo reza a lenda, nos esmouroços as formigas eram muitas e atacavam os berços das crianças, principalmente no verão. Foi então que os antigos, que eram muito sabidos, decidiram soltar os muitos animais que possuiam (burros e vacas) por uma noite e no local onde esses animais fossem pernoitar construiriam eles as suas casas, a sua nova morada. Ora esses animais apareceram ao amanhacer num pequeno vale denominado cabeço do vale, onde se construíram as primeiras casas feitas de gogos de quartzite amarela tiradas do rio, entremeadas com xisto negro e argamassadas com barro da região.







(Janeiro de Baixo)






(Barragem de Santa Luzia - Pormenor dum alpinista - pontinho vermelho nesta foto)








(Fajão)
Antiga Vila, encaixada numa pitoresca concha da Serra, alcandorada sobre o Rio Ceira, perto da sua nascente, entre altos e gigantescos penedos de quartzito, cuja configuração faz lembrar antigos castelos naturais.

Nos seus arredores pode ser apreciada uma das mais belas paisagens de Portugal, e a aldeia do Piódão fica apenas a 30Km por uma estrada com um percurso deslumbrante. De destacar uma pequena aldeia, Ponte de Fajão com o seu rio de águas limpas e ambiente acolhedor. A poucos Km da pousada, nos altos cumes das montanhas, observamos a natureza como em nenhum outro lugar de Portugal

sábado, 15 de novembro de 2008

Monsanto, a aldeia mais portuguesa de Portugal

"Nunca se sabe em Monsanto,
que as águias roçam com a asa...
Se a casa nasce da rocha
Se a rocha nasce da casa".


Quero tanto falar e escrever sobre esta Aldeia, dizendo tudo e transmitindo todos os sentimentos que me assolam o pensamento, que acabam por passar dias e semanas sem conseguir concentrar-me o suficiente para o fazer. E porque como já disse anteriormente, sozinha não consigo falar de tudo, sirvo-me de alguns textos que encontro aqui e ali e misturando-os com as minhas palavras consigo dar uma ideia ainda que vaga de tudo o que podemos ver e apreciar. A aldeia de Monsanto exibe-se, airosa, no alto da íngreme colina.


Faz-se difícil, obrigando o visitante a uma subida esforçada, a primeira de muitas, para se deixar apreciar. Curva após curva, Monsanto vai-se revelando aos poucos, segura de que tem muito para oferecer.


Não é para menos: afinal, trata-se da aldeia mais portuguesa de Portugal, aquela que arrebatou a vitória do concurso promovido, em 1938, pelo Secretariado de Propaganda Nacional do Estado Novo, dirigido por António Ferro. Ser, na opinião do júri composto por etnógrafos, poetas e escritores, a mais característica povoação do país, a menos "penetrada pela civilização dos outros", valeu-lhe o Galo de Prata, troféu cuja réplica permanece até hoje no cimo da Torre do Relógio ou de Lucano, um dos seus mais conhecidos monumentos.


Embora tornada famosa por tal feito, Monsanto não é apenas uma espécie de "Miss Portugal" na reforma, que tenta envelhecer conservando a beleza de outrora. Lugar muito antigo, com registo de presença humana desde o Paleolítico, distingue-se, para além do seu passado histórico, pela população, pouco mais de uma centena de pessoas que persiste orgulhosamente em defender as tradições, em preservar a sua identidade.


Antes de entrar na aldeia pode-se observar a magnifica paisagem que se desfruta do baluarte, que hoje se utiliza como estacionamento.


Algumas casas usam rochas como tecto ou parede.


Mas mesmo que se seja medroso, e alguns pareçam estar em equilíbrio precário é pouco provável que se despenhem no momento exacto em que vai a passar por eles.


Detenha-se na Igreja Matriz ou de São Salvador, provavelmente construída no século XV. Alvo de reforma três séculos depois, a sua fachada ainda conserva elementos antigos, nomeadamente o portal românico. A entrada faz--se pela porta lateral, à esquerda do edifício. O interior surpreende, pois, graças ao restauro agora concluído, tudo reluz, dos bancos ao altar-mor e aos vitrais, antes inexistentes.


Para conhecer Monsanto não há como começar pelo princípio, ou seja, pelo Castelo, a 758 metros de altitude, cujas muralhas protegeram a povoação durante séculos. Encha-se de fôlego para a subida e siga as setas que indicam o caminho. Durante o percurso, contemple os enormes pedregulhos que ornamentam as bermas.


Subindo a chamada "Via Sacra", passa-se pela Gruta


pelo miradouro da Campina,


junto do Forno Comunitário de onde se tem uma vista sobre toda a aldeia.


Pode ver-se daí a "casa de uma só telha" com uma particularidade interessantissima, o telhado é feito de rocha granitica. Devido às caracteristicas da região era frequente fazer-se este tipo de aproveitamento.


Suba a Rua do Castelo

A antiga fortificação de Monsanto apresentava duas portas: a Principal e a Porta da Traição.

Os autores da edificação deste Castelo foram os Templários - sob ordens de D. Gualdim Pais, também responsável pela fundação dos castelos de Tomar e Almourol - aos quais D. Afonso Henriques doou, em 1165, estas terras conquistadas aos mouros.



Várias vezes mandado reconstruir por sucessivos monarcas, o castelo medieval em pedra granítica viria a sofrer um terrível acidente no século XIX: foi parcialmente destruído, numa noite de Natal, pela explosão do paiol de munições, uma fatalidade à qual sobreviveram as duas torres, a do Peão, primitiva torre de vigia, e a de Menagem.


Visite, também, as ruínas da Capela de São Miguel, que ali resiste desde o século XII, e a Igreja de Santa Maria do Castelo, remodelada nos finais do século XVII, bem como as sepulturas antropomórficas e as covas escavadas na rocha, as duas últimas de origem ainda pouco esclarecida.


Mais do que a História, que nem todos conhecem com rigor, Monsanto cultiva os seus mitos. Conversando com as pessoas da aldeia rapidamente se fica a saber que as referidas covas são, afinal, gamelas nas quais a mulher de um antigo governador mandava servir sopa aos pobres.


Actualmente, pelo rigor da conservação e exotismo dos seus recantos merece a designação de aldeia histórica. Monsanto é uma vila repleta de usos e costumes com forte carga simbólica, conforme podemos analisar através do seu artesanato (exº Marafona)
O castelo é protagonista de uma festividade anual, a Festa de Santa Cruz, realizada no primeiro domingo de Maio, que inclui uma simulação de outra lenda, conhecida como do bezerro: depois de terem estado cercados pelos mouros durante longo período, os monsatinos terão decidido deitar, lá do alto, um bezerro com o estômago cheio de cereais, o que levou o invasor, convencido de que ainda lhes restavam muitos mantimentos, a desistir do cerco. Na reconstituição, o animal é actualmente substituído por cântaros de barro caiados de branco e decorados com fitas e flores.

Relaxe, pois, por esta altura, já subiu praticamente tudo o que havia para subir. Depois da primeira abordagem, a Miss Portugal 1938 baixa a guarda, dá-se a conhecer sem exigir especial esforço físico.

Terra de rara beleza, onde o granito e a força humana desempenham o papel principal, "Monte Santo" é o carismático baluarte da fronteira do Erges, tão valoroso que se dizia que "Quem conquista Monsanto, conquista o mundo".

Relembramos então, Saramago que em visita a Monsanto afirmou "Devemos entender o que há de pedra nas pessoas, descobrir o que das pessoas, descobrir o que das pessoas passou à pedra".

Idanha-a-Velha


(Monsanto de que falarei a seguir, lá ao longe...)

Apetece falar desta pequena aldeia de ambiente pitoresco, pelo notável conjunto de ruínas que conserva. É assim que em determinado folheto se começa a falar desta terra maravilhosa. Realmente eu tenho vontade de falar e falar e falar... mas como não consigo transmitir para palavras tudo o que vi e senti, vou deixar aqui um pequeno texto do folheto que trouxe do Turismo e decora-lo com fotos minhas tiradas por lá. Até porque esta Aldeia Museu merece uma explicação maior do que meia dúzia de palavras minhas.



(Marco do Correio)

Idanha-a-Velha, é uma pequena Aldeia que parece adormecida entre os oliveirais mas cujo passado histórico teve uma importância testemunhada pela catedral e pelas inúmeras ruínas, transformando-a num museu ao vivo.

Elevada a cidade episcopal em 534, diz-se que foi aí que nasceu um rei visigodo, e a velha catedral, restaurada no início do século XVI, ainda conserva pedras esculpidas e inscritas do tempo dos romanos.


Vale a pena admirar a Igreja Matriz renascentista, o pelourinho do século XVII e as ruínas da Torre dos Templários.

História de Idanha-a-Velha

Idanha-a-Velha pequena aldeia de ambiente pitoresco, pelo notável conjunto de ruínas que conserva. ocupa um lugar de realce no contexto das estações arqueológicas do País. Ergue-se no espaço onde outrora existiu uma cidade de fundação romana (séc. I a.C.), inserida no território da Civitas Igaeditanorum, tendo sido, mais tarde, município romano. Uma inscrição datada do ano 16 a.C., onde consta que Quintus lallius, cidadão da Emerita Augusta (Mérida) "deu de boa vontade um relógio de sol aos Igeditanos", testemunha a existência no núcleo urbano nesse momento cronológico.



Em 105, a povoação aparece referida numa inscrição da monumental ponte de Alcântara - importante obra de engenharia romana - como um dos municípios que contribuíram para a sua construção. Diversos vestígios evidenciam, ainda hoje, essa permanência civilizacional: entre outros, o podium de um templo no qual assenta a Torre dos Templários; a Porta Norte e respectiva muralha; um conjunto excepcional de lápides funerárias e variado espólio disperso.


A povoação conheceu no período visigótico, sob o nome da Egitânea, momentos áureos de desenvolvimento, tendo sido sede de diocese desde 599 e centro de cunhagem de moeda em ouro (trientes). São testemunhos materiais desse período, o Baptistério e ruínas anexas do "Palácio dos Bispos" e a designada "Sé-Catedral", esta com profundas alterações arquitectónicas posteriores.



Os Árabes ocuparam a cidade até à sua tomada por D. Afonso III, Rei de Leão, durante a reconquista , fazia já parte integrante do Condado Portucalense aquando da fundação de Portugal. Mais tarde D. Afonso Henriques entregou-a aos Templários. Em 1229 D. Sancho II deu-lhe foral. D. Dinis incluiu-a na Ordem de Cristo - 1319 -, seguindo-se outras tentativas de repovoamento. D. Manuel I, em 1510, institui-lhe novo foral de que o Pelourinho ainda é testemunho. Em 1762 figurava como vila, na comarca de Castelo Branco; em 1811, ficava anexa a Idanha-a-Nova; em 1821 tornava-se de um pequeno concelho, extinto em 1836. Intencionalmente, e ao longo dos séculos, pretendeu-se reorganizar todo o espaço urbano, revitalizando-o no domínio social, económico, politico e cultural. Porém o seu percurso histórico, de desertificação, estava traçado. Hoje, Idanha-a-Velha (Monumento Nacional), surge renovada. Uma Aldeia Histórica criteriosamente adaptada para os que aqui residem e para os que a visitam.


Ao chegar a Idanha-a-Velha poderá observar a monumentalidade da cerca muralhada, dos seus torreões, e da Porta Nova , que permite o acesso ao interior da aldeia. A muralha, tem uma forma ovalada, com uma extensão de cerca de 745 m, sendo conhecidas 2 entradas e 7 torres defensivas, 4 semicirculares e 3 quadrangulares. O património construído de Idanha-a-Velha é fruto da presença de inúmeros povos que aí se estabeleceram, e foram adaptando e reformulando os espaços e os edifícios ao longo dos séculos de ocupação territorial.



Siga pela Rua da Palma até à Casa Marrocos.


Esta construção deste século pertença de uma família abastada, exibe um bonito trabalhado nas varandas e cantarias. Na direcção da amoreira que dá nome ao largo,


siga pela pequena rua junto à referida casa e vire à direita para a Sé Catedral . Na Rua da Sé, a recuperação de um pequeno espaço habitacional, permitiu a instalação do Posto de Turismo, onde se pode ver parte de uma habitação romana sobre a qual assenta o edifício.


(O Campanário da Sé)

A Sé, dos princípios do Cristianismo, com uma forte intervenção no período manuelino tem incorporado no lado Sul um Baptistério paleo-cristão (séculos VI/VII);

muito próximo, podem ver se as ruínas do chamado Palácio dos Bispos. Junto às muralhas e próximo da Porta Sul, encontram-se fragmentos de ruínas romanas de uma habitação (séculos I-III) que se estendeu para limites exteriores à muralha, tendo sido fragmentada no momento de regressão da malha urbana (século IV).



O Largo da Sé dá acesso ao Lagar de Varas edifício importante na arqueologia industrial, que testemunha o aproveitamento de recursos da comunidade e a sua capacidade de transformação dos produtos agrícolas da região. Este espaço, recuperado recentemente, apresenta no seu interior, uma primeira sala, com duas enormes varas de prensagem e uma caldeira; na sala contígua pode ver-se o depósito de azeitona e o espaço da moagem. No pátio, onde se localiza o poço que alimentava a caldeira, construiu-se uma estrutura, assumidamente contemporânea, para exposição de um dos mais importantes acervos epigráficos romanos da Península Ibérica.



Desloque-se até ao final da rua e suba até à Torre. A Torre dos Templários , construção militar do século XIII, foi erguida no espaço do forum romano (século I), sobre o podium - o que resta de um templo romano dedicado possivelmente a Vénus. Deste ponto mais alto, domina-se uma paisagem excepcional com uma visão de conjunto sobre a aldeia. A Sul do forum, existiam as termas, cujas dimensões das estruturas já escavadas permitem supor ter sido um edifício público.



Pela Rua do Castelo, onde existe o Forno Comunitário , recentemente recuperado, siga até à Igreja Matriz.

A Praça do Pelourinho marca o cruzamento de dois eixos estruturantes da aldeia, e nela se encontram elementos caracterizadores relevantes da sua importância cívica e religiosa: o Pelourinho , de estilo manuelino e classificado como Imóvel de Interesse Público, o Edifício dos Antigos Paços do Concelho, e a actual Igreja Matriz. Antiga Misericórdia, a Igreja Matriz apresenta estilo renascentista (século XVIII) com influências populares.



A Capela de São Dâmaso de estilo maneirista (1748) situa-se fora do recinto amuralhado, junto ao actual Gabinete de Arqueologia, que funciona num edifício alvo de recente recuperação, no local onde existiam os Antigos Palheiros de São Dâmaso nos quais os trabalhos de investigação arqueológica puseram a descoberto um troço da muralha romana e um torreão.




Olhando sobre o Rio Pônsul descobre-se a Ponte de origem romana, elo de ligação do importante eixo viário entre Mérida (Emérita Augusta) e Braga (Bracara Augusta), que teve várias reconstruções ao longo da Idade Média. Nas férteis margens do Rio, podem ser vistas ainda hoje, as hortas da aldeia, muito importantes na sobrevivência deste povo.

Idanha-a-Velha Ponte


A Rua do Espírito Santo leva-nos a circundar o espaço exterior à muralha, até ao Largo e à pequena Capela do Espírito Santo . Esta pequena capela é uma construção dos séculos XVI - XVII, de estilo maneirista, e é lá que em meados de Maio, se realizam as Festas em honra do Espírito Santo.